segunda-feira, 22 de maio de 2017

UMA ADVERTÊNCIA PARA HOJE


Pr. Cleber Montes Moreira

1- Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: "Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
2- Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido.
3- O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados.
(Lucas 12:1-3 - NVI)


Assim como os discípulos, que por causa de Jesus viviam cercados de multidões cujo principal objetivo não era o Senhor e sua doutrina, mas sim as benesses de sua presença, nós também estamos rodeados de pessoas interesseiras e oportunistas que pensam no evangelho como um meio de saciar seus desejos egoístas. Assim como os fariseus, os saduceus e outros grupos da época interpretavam e aplicavam a Lei em benefício próprio, muitos hoje fazem o mesmo em relação a Palavra de Deus.  Eles se revestem da “aparência de piedade”, mas em seu íntimo são “amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus” e perseverantes na prática do mal (Leia 2 Timóteo 3). 

Os fariseus, principalmente, eram populares e exerciam grande influência sobre o povo. Da mesma forma muitos pregadores da atualidade, bem como outras celebridades do mundo gospel, formam opinião, ditam comportamentos, influenciam vocabulário etc. Alguns atraem multidões que cegamente colaboram para a manutenção de seus “ministérios” e formação de verdadeiros “impérios”. Muitos, na busca da fama, poder e dinheiro, são tentados a seguirem o mesmo caminho. A característica principal destes falsários é proclamar um evangelho adequado a seus interesses e sob medida para atender aos seus anseios egoístas. Eles  evocam autoridade espiritual, ostentam santidade, alegam uma interpretação correta das Escrituras, demonstram piedade mas, na verdade, são hipócritas, ou seja, apenas representam um papel que não condiz com o que realmente são.

Certamente que a advertência do Mestre serve também para os discípulos de hoje. A Bíblia é viva, dinâmica, e sua mensagem é sempre atual. Cabe a nós acatar e aplicar seus princípios.


O FERMENTO DA HIPOCRISIA

“Fermento”, segundo, Godet, “é o emblema de cada princípio ativo, bom ou ruim, que possui o poder de assimilação”. Paulo usa o mesmo termo (ζύμης) ao escrever aos Gálatas que estavam se deixando enredar por um “outro evangelho”: “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9 - NVI). Conforme Beacon [1] os fariseus, com o seu “fermento” – ensinos e práticas – influenciavam as pessoas e direcionavam falsamente toda religiosidade israelita. 

O “fermento”, mencionado no verso primeiro, refere-se à presença da corrupção daqueles que agem com “hipocrisia”, no caso os fariseus. Eles foram denunciados severamente por Jesus em outros momentos, com igual rigor. Sua hipocrisia consistia em ostentar uma vida de elevada espiritualidade para ocultar sua corrupção. À vista do povo eram zelosos da Lei, dedicados à oração, santos…, mas interiormente eram como “sepulcros caiados”, conforme palavras do próprio Senhor: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus 23:27 - NVI) – limpos por fora, podres por dentro!

A exortação que o Senhor nos deixa é: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Em outras palavras: “não se contaminem”, “não se amoldem”, “não imitem a sua conduta”, “não se deixem levar” etc. Não nos assemelhemos àqueles que “posando de bons mocinhos” encobrem o mal que praticam para que no dia da vergonha não tenhamos o que temer.


O PODER DA INFLUÊNCIA

Geralmente os influenciadores são pessoas carismáticas. Eles se caracterizam por “uma presença marcante” e uma “liderança contagiante”. Entretanto, o que distingue o hipócrita do cristão autêntico não é o carisma, mas o caráter.  O cristão não é o que ele faz, mas quem ele é na essência. Jejuar, orar para ser visto, dar esmolas, o aparente zelo pelas Escrituras, ostentação de santidade, demonstração de “poder” e “autoridade” etc. podem impressionar pessoas, porém a vida do discípulo é aferida pelo Fruto do Espírito.

O site “Sempre Família” [2],  em publicação do dia 31 de outubro de 2016, elencou os dez líderes evangélicos mais influentes nas redes sociais, dentre os quais estão: Ana Paula Valadão, que tinha, até então, mais de 3 milhões de curtidas em sua página oficial no Facebook; Thalles Roberto com mais de 1 milhão de seguidores no Facebook e mais de 9 milhões de curtidas; Claudio Duarte, “o pastor cheio de graça”, como ele mesmo se intitula, com cerca de 3 milhões de curtidas no faebook e 79 mil seguidores no Twitter; Aline Barros com mais de 15 milhões de curtidas em sua página no Facebook e cerca de 4,46 milhões seguidores no Twitter; e ainda Ed René Kivitz, Silas Malafaia, o jogador Kaká e outros famosos. O que despertou-me atenção na matéria foi o comentário em destaque, logo após o título: “Suas opiniões são levadas em consideração por milhares ou até milhões de brasileiros.”

É lamentável ver um povo que não lê a Bíblia, em cegueira espiritual, sendo influenciado por homens, mesmo que muitos deles exerçam um ministério destoante da Palavra de Deus. Basta ouvir alguns sermões, canções e declarações para se ter a clareza sobre seu verdadeiro caráter.  Falo sem generalizar, mas é certo que muitos deles não podem, como Paulo, dizer: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (1 Coríntios 11:1). 

A influência maléfica de certos líderes religiosos tem levado o povo para longe de Deus. Práticas insanas e vergonhosas, ambições escusas, superstições, idolatria, liberalismo, legalismo, humanismo, universalismo e tantas outras coisas são ingredientes da massa levedada com o fermento dos perversos. Para quem tem discernimento espiritual, o “bolo” é indigesto!

Algo que agrava ainda mais a situação é que muitos desses líderes representam a ideia secular de “sucesso” e “prosperidade”, constituindo-se assim em “modelo” e “inspiração” para  novos pregadores e líderes que aspiram por ascensão na carreira. Daí vemos muitos jovens oradores, pastores, cantores e outros imitando seus ídolos nos púlpitos e palcos, sempre em busca de holofotes.

A VERGONHA DOS HIPÓCRITAS

Os hipócritas são obstinados em seu erro, e incapazes de sentir vergonha: “Ficarão eles envergonhados da sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha alguma, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar", declara o Senhor” (Jeremias 6:15 - NVI). Mesmo conhecendo a Palavra da Verdade preferem simular e enganar o povo.

Abraham Lincoln disse: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo.” Eu acrescento: Você pode enganar as pessoas, mas jamais a Deus.  Haverá um tempo, o dia da vergonha, em que toda obrá má será descoberta e toda a hipocrisia revelada.  

Um exemplo disso são os últimos acontecimentos que ocupam os noticiários, fruto das investigações da Operação Lava Jato, que surgiram como uma bomba revelando imagens e áudios que causaram desconforto ao presidente Temer, provocaram o afastamento do senador Aécio Neves, as prisões de sua irmã Andrea Neves e de seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, dentre outros desdobramentos. As coisas feitas em oculto estão sendo expostas para vergonha de muita gente. Com os falsos profetas não será diferente.

Não há coisa pior que uma justiça injusta, uma fidelidade infiel, uma moral imoral, uma retidão dissimulada… Aqueles que usam a camuflagem de uma vida ilibada para ocultar sua corrupção agem com hipocrisia e um dia estarão desnudos à luz do Sol da Justiça, pois “não há nada encoberto que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”. 

O escritor de Eclesiastes, provavelmente Salomão, depois de considerar a vaidade que há debaixo do sol, encerra assim seu livro: “Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal” (Eclesiastes 12:14). As máscaras cairão!

PARA REFLETIR

A exortação do Senhor aos discípulos é também para hoje. Estejam atentos e não se contaminem com o fermento dos perversos. Cuidado com os falsos mestres que enganam e afastam os incautos da Verdade.  Cuidado com os avarentos. Cuidado com o fermento dos políticos que desavergonhadamente oferecem ao povo um discurso destoado de suas intenções e práticas. Não imitem os maus. Submetam tudo ao crivo da Palavra Sagrada. Sigam a Cristo, não aos homens. Considerem que toda obra má e toda corrupção virá à tona e a justiça prevalecerá.

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[1] Beacon, Comentário, Mateus a Lucas, página 424
[2] http://www.semprefamilia.com.br/10-dos-lideres-evangelicos-mais-influentes-nas-redes-sociais/ (acessado em 20 de maio de 2017)

BANDEIRAS VERMELHAS?


domingo, 21 de maio de 2017

PERTO OU LONGE



Pr. Cleber Montes Moreira

“Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.” (Salmos 145:18)

Algumas pessoas, diante de certas situações, pensam que Deus está tão longe de nós que já não se importa. Outros há que, diante de certos acontecimentos, perguntam: “Onde Deus estava?” Eu, porém, pergunto: Poderia Deus se afastar de nós, criados à Sua imagem e semelhança?  Poderia Ele nos abandonar, entregando-nos à própria sorte?  Poderia deixar de nos amar com aquele amor que o levou a entregar seu próprio Filho para morrer na cruz, em nosso lugar? Poderia, ainda que por um momento, perder seu interesse, deixando de exercer seu amor, bondade e misericórdia para conosco? É o que muita gente pensa quando se encontra desanimado, sem fé, e até decepcionado. Mas, afinal, quem é que se afasta, o homem ou Deus? É o Criador quem nos abandona, ou é o ser humano que o ignora e evita a sua presença?

Pela boca do profeta Jeremias, Deus disse: “Será que uma mãe pode esquecer do seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa se esquecer, eu não me esquecerei de você!” (Isaías 49:15 – NVI). O que ocorre é que há pessoas que se afastam tanto de Deus que acabam pensando que é Ele quem está longe.  Entretanto, por mais que o Eterno pareça alheio e desinteressado de nós, está sempre acessível, perto, podendo ser encontrado por aqueles que, pela fé, o buscam com um coração sincero. É como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Salmos 145:18). Também diz: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Salmos 34:18). Em Cristo, Deus se fez ainda mais perto: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). O Salvador não recusa aqueles que, com confiança, chegam à sua santa presença: “E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37b). Sim, Ele está perto e não nos recusa quando o buscamos com um coração sincero e humilde.  Ele deseja um relacionamento dinâmico, diário e vivo com seus filhos, mas, e você, está interessado em relacionar-se com Deus?

Perto ou longe? Isso depende de sua vontade. Embora nos ame com amor eterno, o Soberano respeita nosso livre arbítrio. Pense nisso!

sábado, 20 de maio de 2017

PRAZER NA PALAVRA



Pr. Cleber Montes Moreira

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (Salmos 1:2)


Houve um tempo, quando na escola secular, que considerava o estudar somente como uma obrigação. Os livros eram chatos, enfadonhos, as aulas monótonas e a rotina estressante.  Tudo o que fazia era somente para cumprir com a obrigação.  Não tinha qualquer prazer, principalmente quando o assunto era matemática. Foi assim que perdi um ano e passei pelos outros sem motivação alguma.  Na época, concluí o curso de contabilidade apenas por falta de opção. Tudo o que queria era terminar os estudos e não precisar mais voltar às aulas.

Quando fazemos algo no qual não temos prazer, há sempre o risco do fracasso. Quem não ama o que faz, não faz bem feito. Quem não se especializa, fica para trás e perde a concorrência no mercado tão competitivo. Quem não adquire conhecimento, não se renova, mas desatualiza. O prejuízo é enorme!
Em termos espirituais ocorre o mesmo.  Se temos prazer em Deus e em sua Palavra, vamos bem, mas se não, não progredimos.  Ler, aprender e praticar deve ser algo intensamente prazeroso, motivador, fascinante! A Bíblia não é um livro que deve ser lido por obrigação, apenas quando passamos por uma crise ou necessitamos de alguma solução. Ela é para ser lida com prazer, comida e degustada como algo que alimenta e sacia. Ela é pão para a alma! Aquele que a lê e pratica torna-se como “árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará” (Salmos 1:3).

Meu desejo é que se cumpra entre nós a palavra que está em Amós 8:11: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.” Que nestas palavras tenhamos prazer e, assim como o salmista, nelas meditemos dia e noite. Só assim seremos verdadeiramente alimentados e preparados para um viver santo e de prosperidade na presença do Pai celestial.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A LAVA JATO E O DIA DA VERGONHA



Pr. Cleber Montes Moreira

“Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: ‘Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido. O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados.’ ” (Lucas 12:2,3 – NVI)


Os últimos acontecimentos, fruto das investigações da Operação Lava Jato, que surgiram como uma bomba nos noticiários revelando imagens e áudios que causaram desconforto ao presidente Temer, provocaram o afastamento do senador Aécio Neves, as prisões de sua irmã Andrea Neves e seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, dentre outros desdobramentos, fizeram-me recordar o texto em epígrafe. Aquilo que fizeram em oculto, para a perplexidade de todos, veio à tona – a podridão então  encoberta está sendo exposta explicitamente. Só não vê quem não quer.

O “fermento”, mencionado no verso primeiro, refere-se à presença da corrupção daqueles que agem com “hipocrisia”, no caso os fariseus. Eles foram denunciados severamente por Jesus em outros momentos, com igual rigor. Sua hipocrisia consistia em ostentar uma vida de elevada espiritualidade para ocultar sua corrupção. À vista do povo eram zelosos da Lei, dedicados à oração, santos…, mas interiormente eram como “sepulcros caiados”, conforme palavras do próprio Senhor: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus 23:27 - NVI) – limpos por fora, podres por dentro!

Não há coisa pior que uma justiça injusta, uma fidelidade infiel, uma moral imoral, uma retidão dissimulada… Aqueles que usam a camuflagem de uma vida ilibada para ocultar sua corrupção agem com hipocrisia e um dia estarão desnudos à luz do Sol da Justiça, pois “não há nada encoberto que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”. 

A exortação que o Senhor nos deixa é: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Em outras palavras: “não se contaminem”, “não se amoldem”, “não imitem a sua conduta”, “não se deixem levar” etc. “Fermento”, segundo, Godet, “é o emblema de cada princípio ativo, bom ou ruim, que possui o poder de assimilação”. Paulo usa o mesmo raciocínio ao escrever aos Gálatas que estavam se deixando enredar por um “outro evangelho”: “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9 - NVI). Conforme Beacon (1) os fariseus, com o seu “fermento” – ensinos e práticas – influenciavam as pessoas e direcionavam falsamente toda religiosidade israelita. 

Várias crises tem solapado o Brasil nos últimos tempos. Falamos muito em crise política e nas que dela decorrem, mas há também crise moral, religiosa, espiritual… Penso que todas tem origem no afastamento do homem de Deus. Quanto mais distante dele, mais poder o pecado tem sobre o mundo. Aliás, “o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19), nós, porém, somos de Deus, e por isso devemos viver livres de contaminação para que em meio a esta geração corrompida e degradante sejamos “irrepreensíveis” e “inculpáveis” (Filipenses 2:15).

Cuidado com o fermento – influência – dos hipócritas e perversos. Não nos assemelhemos àqueles que “posando de bons mocinhos” encobrem o mal que praticam. Que no dia da vergonha não tenhamos o que temer. (Disse temer, e não Temer)

quinta-feira, 18 de maio de 2017

EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO



EU SEI EM QUEM TENHO CRIDO


Pr. Cleber Montes Moreira


Deus amado e bendito,
Deus de conforto e esperança,
Que ouve as preces dos aflitos
Que rogam com fé e perseverança,
Na confiança de que “aquele que pede, recebe”,
De que “o que busca, encontra”, 
De que “ao que bate se lhe abre”,
E em Ti descansa,
Responda as orações de teus filhos
E dai-lhes alívio.

Que nas tempestades conheçam a bonança,
Que nas enfermidades recebam a cura,
Que nas lutas revigorem a força
E nas agruras se deleitem com a doçura
Da bem-aventurança de confiar em Ti.

Que creiam, mesmo que não haja motivos,
Que prossigam quando tentados a desistir,
Que ao inimigo não deem ouvidos,
Mas persistam em te ouvir
Mesmo quando o silêncio for a Tua voz.

Que esperem quando não houver esperança,
Ainda que “tudo pareça perdido”,
Que a “loucura da fé” lhes traga a segurança
De quem não se engana e diz:
– Eu sei em quem tenho crido!


Itaperuna, 18 de maio de 2017


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Perfeita, Eficaz e Suficiente

Pr. Cleber Montes Moreira

“Porquanto, jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens santos falaram da parte de Deus, orientados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:21 - BKJA)



É comum em alguns cultos alguém levantar dizendo ter recebido uma palavra de Deus, trazendo uma nova profecia, uma revelação, um recado… Temos profetas nos dias atuais? Se temos, esta é a forma de agir dos profetas de hoje?

Paulo, escrevendo aos Coríntios, disse: “Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1 Coríntios 14:1). Então, profetizar é um dom. Entretanto, é preciso compreender que o ministério dos profetas no Velho Testamento se dá num contexto e numa forma diferente do modo como ocorre no Novo, especialmente no contexto do cristianismo. Antes, as profecias eram dadas por inspiração, hoje, porém, por iluminação. Os profetas de antes não tinham a Bíblia, como a temos hoje, e a revelação de Deus se deu de uma forma progressiva (Hebreus 1:1). Hoje esta revelação está completa, perfeita, não tendo necessidade de nenhum acréscimo. Nós temos a Bíblia, nosso fundamento de fé, onde encontramos toda a revelação de Deus, segundo Seu propósito, para por meio dela orientarmos nossas vidas.

O profeta de hoje tem a luz do alto, dada pelo Espírito Santo, o ensinador, para que compreenda e transmita com fidelidade aquilo que outrora fora revelado, tanto no Velho quanto no Novo Testamento. O profeta que omitir, ou acrescentar algo às profecias, será tido como infiel, falso, incrédulo e digno de severa punição. É o que diz a Bíblia: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro” (Apocalipse 22:18-19 – grifo do autor).

Para não sermos enganados, precisamos conhecer a Bíblia. É o conhecimento da Santa Palavra que nos ajudará a discernir os falsos dos verdadeiros profetas, como disse João: “Amados, não creiais a todo o espírito [ensino], mas provai se os espíritos [ensinamentos] são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4:1 – adendos explicativos). Portanto, todo aquele que proferir algo que destoe da Bíblia, proferirá uma falsa profecia e, portanto, será considerado um falso profeta. Quem se levantar com uma “nova revelação” falará pelo homem, e não em nome de Deus, pois tudo quanto Deus quis revelar está na Bíblia. Não importa o título que ostente o falso profeta: pastor, bispo, apóstolo, evangelista, irmão ou irmã de oração… As Sagradas Escrituras dizem: “A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele” (Lucas 16:16). Depois de João não houve nenhuma nova revelação, nem haverá, mas sim a iluminação divina para que, compreendendo as profecias, os profetas de hoje anunciem clara e fielmente o reino de Deus, chamando pecadores ao arrependimento e à salvação em Cristo.

Estou com Martinho Lutero, que disse: “Fiz uma aliança com Deus: que Ele não me mande visões, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me dão instrução abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para o que há de vir.” Portanto, não me procurem com uma outra palavra, ou outra revelação além das Escrituras, seja dada por palavras, sonhos, visões etc. Eu tenho a Bíblia; ela me basta! Ela é perfeita, eficaz e suficiente! O que for além dela é de procedência maligna; é mentira e não merece crédito!

terça-feira, 16 de maio de 2017

O TESTEMUNHO QUE CONVENCE



Pr. Cleber Montes Moreira

“Vós sois a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos os homens. Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração.” (2 Coríntios 3:2,3 – ACF/SBTB)


Uma matéria num site gospel afirma que “Muçulmanos querem que a FIFA proíba ‘comemoração cristã’ de jogadores. O pedido teria sido feito em rede social pelo clérigo Islâmico Muhammad Alarefe, líder influente na Arábia Saudita. Ele quer que a FIFA crie uma lei proibindo jogadores de fazer o que ele chama de “comemoração cristã”.

É comum que jogadores cristãos comemorem seus gols apontando para o céu, balbuciando palavras de gratidão, fazendo o sinal da cruz etc. Quem não se lembra de Neymar com uma faixa na cabeça com a frase “100% Jesus”?

Se de um lado está a discussão sobre a preocupação de líderes islâmicos com a ‘propaganda cristã’ e o direito ou não dos atletas expressarem sua fé em campo, eu coloco aqui um outro ponto para reflexão: Tais manifestações consistem num testemunho verdadeiro e poderoso da fé cristã? Creio que temos aqui um problema – nem sempre tais testemunhos indicam que há um compromisso da pessoa, fruto de verdadeira conversão, com o Senhor Jesus Cristo. Exemplifico: Se alguém usa uma fita com o nome de Jesus, se ajoelha no gramado, faz o sinal da cruz ou qualquer outro gesto que o identifique como seguidor de Cristo, mas no dia a dia não age conforme um cristão deve agir o seu testemunho é mentiroso. Muitos jogadores são lembrados por seu bom comportamento fora de campo, por sua vida de integridade e compromisso com os valores do evangelho, outros acabam se tornando “pedra de tropeço” para os que se escandalizam com a vida dúbia que levam. Assim entendemos que nem todo aquele que diz “Senhor, Senhor” serve a Cristo, mas sim os que fazem a sua vontade, conforme nos ensina o próprio Senhor em Mateus 7:21. Portanto, não adiantam bons gestos e boas palavras se elas não condizem com quem realmente somos. O cristianismo não é uma “indumentária”, não é uma cultura, ele não consiste na aparência mas na essência do que somos: Ser cristão é ser transformado pelo novo nascimento, recriado à imagem e semelhança de Cristo.

Mais que pelo nosso “evangeliquês”, que pelos nossos gestos às vezes impensados e/ou “robotizados”, que pelo nosso modo de vestir etc., que as pessoas percebam Cristo em nós pelo que somos. Afinal somos a carta viva de Cristo, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo (2 Coríntios 3:3), para que seja lida por todos e comunique com poder e clareza a graça salvadora e a vida que há em nosso Senhor e Salvador. Este é o testemunho que convence! Pense nisso.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

PESQUISA REVELA DADOS PREOCUPANTES SOBRE PASTORES E EX-PASTORES


Pr. Cleber Montes Moreira

Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver… Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente.” (Hebreus 13:7,17-18 – AFC/SBTB)


Uma pesquisa online realizada entre pastores e ex-pastores, entre setembro de 2016 e março de 2017 pelo Ministério ExPastos, que atende pastores, ex-pastores e outros líderes cristãos revelou dados preocupantes:
86% não se sentem capazes de cumprir com todas as exigências do ministério pastoral.
77% dizem que sua igreja tem expectativas irrealistas sobre eles.
85% disseram que já pensaram em encerrar a carreira ministerial.
64% afirmaram que já tiveram dúvidas sobre o seu chamado.
58% se sentiram feridos e/ou rejeitados pela igreja quando convidados a deixar o pastorado ou saíram por iniciativa própria.
62% confessaram lidar com sentimento de solidão.
65% sofrem com ansiedade.
39% sofrem com a depressão.
29% já lidaram com pensamentos suicidas.
44% disseram que assumiram o pastorado sem um mentor.


A pesquisa, que não consiste num estudo científico, foi feita por amostra e respondida por 577 pessoas.
De acordo com Karl Vaters, pastor da igreja Cornerstone Christian Fellowship, uma forma de combater o excesso de trabalho e aliviar os pastores é treinar e equipar membros das igrejas. Ele incentiva os pastores a “equipar e não apenas informar ou encorajar” as pessoas, treinar equipes em vez de nomear comissões e partilhar tomadas de decisões.
Thom Rainer, presidente da LifeWay Christian Resources, recomenda que os pastores invistam mais tempo em oração e no estudo da Bíblia. Ele também aconselhou os líderes a orarem pela comunidade que está fora da igreja, o que os ajudaria a parar de olhar para dentro demais.
Dados de uma outra pesquisa, publicada no site “Ultimato Online”, revela dados ainda mais alarmantes: (1)
De acordo com o Instituto Schaeffer, “70% dos pastores lutam constantemente contra a depressão, 71% se dizem esgotados, 80% acreditam que o ministério pastoral afeta negativamente suas famílias e 70% dizem não ter um amigo próximo”.
A causa mais comum noticiada para o suicídio de pastores e líderes é a depressão, associada a esgotamento físico e emocional, traições ministeriais, baixos salários e isolamento por falta de amigos.”
O mesmo site ainda apresenta algumas alternativas que podem ajudar a amenizar o problema:
Pastores:
Encontrar um amigo que o aceite como é, com suas bobagens e defeitos, com quem se possa “jogar conversa fora” e não se saiba explicar o porquê da amizade.
Encontrar um conselheiro ou terapeuta de confiança para abrir a alma.
Ter tempo para o SHABATT – fora do padrão compulsivo
Descobrir a importância do “descanso relacional”
Estar atento às relações de escalonamento sacrificial – especialmente com a instituição (representada por dirigentes/membros obsessivos)

Instituições:
Promover encontros de pastores que possuam caráter terapêutico/curador. Com facilitadores habilitados na condução de compartilhamento de emoções que afetam a vida pastoral;
Diminuir as pressões de resultados numéricos sobre a função pastoral.
Estar atenta a um padrão mínimo de orçamento-salário pastoral, para que ele e sua família não sofram privações.
Desmitificar pseudo-hierarquizações: papéis x poder, realçando a humanidade de todos e o pertencimento mútuo.

Cada vez mais se faz necessário que os crentes orem e cooperem com seus pastores. Há muitos motivos pelos quais orar:

1- Ore pela saúde física, emocional e espiritual de seu pastor.
2- Ore pela família do pastor. Muitas vezes esposas e filhos de pastores são cobrados além do que podem suportar. Eles são pessoas comuns que necessitam de oração, e não pessoas com super poderes.
3- Ore pela estabilidade financeira de seu pastor, para que ele saiba administrar suas finanças e não venha a padecer necessidades.
4- Ore para que em Deus ele se fortaleça e, na dependência do Espírito Santo, possa resistir às tentações.
5- Ore para que ele seja fiel à Sã Doutrina.
6- Ore para que ele se conserve íntegro.
7- Ore para que Deus lhe dê sabedoria.
8- Ore para que ele viva na dependência de Deus e tenha iluminação do alto para que, como instrumento divino, possa sempre trazer uma palavra fiel às escrituras e que supra as necessidades da igreja bem como comunique de forma clara e poderosa as Boas Novas aos não crentes.
9- Ore para que ele manifeste em seu viver o Fruto do Espírito Santo.
10- Ore para que ele encontre conforto e alívio sempre que necessitar.

Ore e coopere com seu pastor. Não deixe que ela faça parte das estatísticas aqui apresentadas.

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COMO AFERIR A AUTENTICIDADE DO PROFETA?

Pr. Cleber Montes Moreira


“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” (2 João 1:9)



Segundo os dicionários, ‘prevaricar’ é, dentre outras coisas, “deixar de cumprir uma obrigação, um dever”. No texto significa desviar-se da doutrina de Cristo, “ir antes, preceder, ir além”, provavelmente uma referência aos falsos profetas que se orgulhavam de oferecer ao povo um ensino “avançado”, conforme nos diz Fritz Rieneeker e Cleon Rogen. (1)

João afirma que quem se desvia do evangelho de Cristo não tem parte com Deus. Assim entendemos que o aferidor da vida cristã autêntica é o compromisso com a verdade – crer, obedecer, viver e ensinar as Escrituras fielmente – palavra esta importante e oportuna neste tempo de tanta confusão e heresias que se espalham em meio às igrejas. Há muita gente com uma “nova visão”, uma nova “interpretação” e aplicação “contextualizada” da Palavra Sagrada segundo seu próprio entendimento ou interesse, há novas “teologias” e ensinos que divergem diametralmente das Escrituras.

Como lidar com os falsos mestres? João responde logo a seguir: “Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (10, 11). Em sua época os pregadores itinerantes em viagem procuravam a hospitalidade oficial das igrejas ou as casas dos crentes para se hospedarem, uma vez que normalmente as pensões eram infestadas de pulgas e as estalagens eram caras. Muitos abusavam desta hospitalidade. Willian Barclay (2) cita Luciano, um escritor grego, que em seu livro intitulado ‘O Peregrinus’ relata sobre um homem que tinha encontrado uma maneira cômoda de viver sem trabalhar. Era um enganador itinerante que abusava da hospitalidade das igrejas e cristãos por onde passava, levando uma vida de luxo e a seu gosto.

Entre tais viajantes haviam muitos “enganadores”. Matthew Henry (3) nos exorta: “Quanto mais abundem os enganadores e os enganos, mais alertas devem estar os discípulos.” Vários escritores neotestamentários, bem como o próprio Senhor, trataram de advertir os discípulos acerca dos falsos profetas. Eles não são uma novidade, desde há muito que espalham suas heresias contaminando as mentes dos desacautelados.

O ensino joanino é que os crentes não deveriam dar hospedagem aos mestres hereges, porque isso comprometeria a São Dourina. A saudação indicava a “entrada na comunhão com a pessoa saudada”, por isso João diz: “nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.” Assim, sua mensagem é que não devemos ser receptivos aos enganadores, que não estabeleçamos nenhum vínculo de comprometimento com eles para que não sejamos contaminados com suas mentiras e nem sejamos feitos seus cúmplices. É triste perceber que muitos crentes (e mesmo muitas igrejas) estão abertos para qualquer “novidade”, não tendo senso crítico nem critérios para avaliar se tais ‘ensinos’ procedem ou não de Deus, como nos adverte João em sua Primeira Carta: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4:1).

O que difere um falso mestre daquele que realmente transmite os ensinos de Cristo é sua fidelidade à São Doutrina. Quem “não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” E como podemos aferir a autenticidade do profeta? Examinando as Escrituras, conservando um espírito bereano, cultivando o senso crítico. Quem conhece a Palavra de Deus não se engana, mas quem despreza o seu conhecimento é enredado facilmente pelos falsários. Lembre-se sempre do que Deus disse pela boca do profeta Oséias: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento...” Que o mesmo não ocorra conosco.

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1- Rieneekcr, Fritz, Chave linguística do Novo Testamento grego, página 593, Vida Nova, 1995.
2- Barclay, William, Comentário Bíblico, 2 João.
3- Henry, Matthew, Comentário Bíblico, 2 João.

VIVER E MORRER PARA CRISTO